Giovenale / Flacco - Corpus Satiricum - 1601





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5 OBRAS QUE FORMAM UM CORPO HOMOGÊNEO: JUVENAL E PERSIUS, A SÁTIRA CONTRA O PODER
Excelente antologia de sátiras latinas. Este volume composto reúne em um único corpo cinco edições parisienses saídas da oficina de Claude Morel entre 1601 e 1602, dedicadas a Decimo Júnio Juvenal e Aulo Persio Flaco.
Não se trata de uma simples coletânea de sátiras latinas, mas de um verdadeiro laboratório crítico do início do século XVI- XVII, no qual a sátira contra o poder imperial é filtrada, organizada e armada pela filologia humanista.
Juvenal e Persio tornam-se instrumentos de leitura do domínio, da corrupção, da decadência moral: textos antigos transformados em armas intelectuais para uma Europa atravessada por tensões religiosas e políticas. O resultado é um corpus homogêneo que coloca em cena, através de cinco textos distintos, mas coerentes, uma tradição satírica lida como crítica radical da autoridade e de seus abusos.
MARKET VALUE
Para exemplares completos e bem conservados, o mercado registra geralmente uma faixa entre 1.200 e 1.600 euros; cópias em encadernação coeva decorada, com restaurações antigas bem executadas e boa frescura de papel, podem superar esse patamar. A unidade composta, que reúne cinco textos coerentes por tema e origem tipográfica, aumenta o interesse colecionável em relação às edições soltas.
DESCRIÇÃO FÍSICA E CONDIÇÃO
Cinco textos acoplados juntos. Encadernação coeva ou de pouco tempo depois em pleno vitelo marrom, planos lisos com elegante guirlanda oval dourada no centro; dorso com nervuras elevadas com traços de relevos e restaurações antigas.
Exemplar sóbrio, porém requintado, com abrasões naturais e oxidações do couro coerentes com uso plurissecular, dorso restaurado. Amarelamentos e manchações fisiológicas. Paginação total conforme segue: pp. (4); 16 nn.; 724; 2 nn.; 96 nn.; 60; 10 nn.; 96; 8 nn.; 156; 16 nn.; 102; 6 nn.; (2). Em livros antigos, com longa história, podem estar presentes algumas imperfeições, nem sempre apontadas na descrição.
TITULOS COMPLETOS E AUTOR
Junii Juvenalis satires sexdecim, cum veteris scholiastae et Ioa.
[bound with]
Index omnium vocabulorum quae in omnibus D. Iunii Juvenalis Satyiris.
[bound with]
L. Annaei Cornuti Grammatici antiquiss. commentum in Auli Persii Flacci Satyras.
[bound with]
Auli Persii Flacci Severi Satyrarum liber.
[bound with]
Ioannis Tornorupaei in Auli Persii Flacci Satyras notae.
Lutetiae, Apud Claudium Morellum, 1601–1602.
Autori e commentatori:
Decimo Giunio Giovenale
Aulo Persio Flacco
Lucio Anneo Cornuto
Johannes Tornorup (Ioannes Tornorupaeus)
Scholiasta vetus (anonimo)
CONTEXTO E SIGNIFICÂNCIA
A sátira latina nasce como gênero moralmente agressivo; em Juvenal torna-se explicitamente denúncia do poder imperial, da corte, dos patronos corruptos, da aristocracia decadente. Suas dezesseis sátiras colocam Roma em julgamento: o enriquecimento ilícito, a servidão voluntária, a degeneração dos costumes sob o principado. A figura do imperador, muitas vezes insinuada mais do que nomeada, paira como centro sombrio de um sistema que produz medo e conformismo.
Persio, mais jovem e estoico, atua em registro diferente mas complementar: a crítica não se limita ao exterior, mas atinge a hipocrisia cultural, a falsa filosofia, a adulação aos poderosos. Através do comentário de Cornuto e das notas humanistas, a sátira persiana é lida como disciplina moral contra a corrupção da linguagem e do pensamento, isto é, contra as próprias bases do poder.
O aparato exegético renascentista transforma esses textos em instrumentos políticos indiretos. Na Paris do início do Seicento, marcada por conflitos religiosos e pelo fortalecimento da monarquia, a publicação conjunta de Juvenal e Persius, acompanhada por comentadores antigos e modernos, não é neutra: é um ato cultural que reafirma o valor da crítica moral como limite simbólico à autoridade. O volume, em sua unidade material, torna-se assim um corpus coerente sobre a sátira como forma de resistência intelectual.
BIOGRAFIA DOS AUTORES E COMENTADORES
Decimo Giunio Giovenale (I–II século d.C.)
Poeta satírico romano, autor de dezasseis sátiras. Sua obra é marcada por tom indignado e estilo retórico potente; representa a crítica mais áspera dos vícios da Roma imperial.
Aulo Persio Flacco (34–62 d.C.)
Poeta latino de formação estoica, autor de seis sátiras. Morreu jovem, mas deixou uma obra de grande densidade filosófica, centrada na autenticidade moral e na crítica da hipocrisia cultural.
Lucio Anneo Cornuto (I século d.C.)
Filósofo estoico e grammaticus romano, mestre de Persio. Seu comentário sobre as sátiras do discípulo é fundamental para compreender a dimensão ética e dogmática do texto.
Johannes Tornorup (Século XVI)
Umanista dinamarquês ativo no final do Renascimento. Suas notas sobre as sátiras de Persio testemunham o interesse filológico nordicor Europeu pela tradição satírica latina e sua recepção escolar.
Scholiasta vetus (anônimo, alta Antiguidade)
Autor do comentário antigo a Juvenal, conservado na tradição manuscrita. Suas glosas constituem uma fonte primária para a compreensão lexical e histórica das sátiras.
PRINTING HISTORY AND CIRCULATION
A oficina de Claude Morel, ativa em Paris entre o fim do século XVI e o início do XVII, destacou-se pela precisão tipográfica e pela publicação de clássicos latinos acompanhados de aparatos críticos atualizados. As edições de 1601–1602 inserem-se numa fase madura da imprensa humanística, atenta à colação dos códices, à estratificação dos comentários e à criação de ferramentas de consulta (como o Index). A prática de reunir textos afins em um único volume respondia a exigências de estudo sistemático: no caso presente, a construção de um verdadeiro dossiê satírico contra o poder.
BIBLIOGRAFIA E REFERÊNCIAS
ICCU / OPAC SBN: edições parisienses de Juvenal e Persius impressas por Claude Morel, 1601–1602 (fichas catalográficas com indicação de formato, colação e variantes).
Brunet, Manuel du libraire et de l’amateur de livres, entradas “Juvénal” e “Perse”, com indicações sobre as edições parisienses do primeiro século XVII.
Adams, Catalogue of Books Printed on the Continent of Europe, 1501–1600, para a tradição editorial anterior e as bases textuais humanistas.
Grafton, Defenders of the Text, Harvard University Press, para o contexto da filologia renascentista e da cultura do comentário.
Repertórios tipográficos Franceses sobre as edições Morel (início do século XVII), com descrição dos aparatos exegéticos e das variantes."
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5 OBRAS QUE FORMAM UM CORPO HOMOGÊNEO: JUVENAL E PERSIUS, A SÁTIRA CONTRA O PODER
Excelente antologia de sátiras latinas. Este volume composto reúne em um único corpo cinco edições parisienses saídas da oficina de Claude Morel entre 1601 e 1602, dedicadas a Decimo Júnio Juvenal e Aulo Persio Flaco.
Não se trata de uma simples coletânea de sátiras latinas, mas de um verdadeiro laboratório crítico do início do século XVI- XVII, no qual a sátira contra o poder imperial é filtrada, organizada e armada pela filologia humanista.
Juvenal e Persio tornam-se instrumentos de leitura do domínio, da corrupção, da decadência moral: textos antigos transformados em armas intelectuais para uma Europa atravessada por tensões religiosas e políticas. O resultado é um corpus homogêneo que coloca em cena, através de cinco textos distintos, mas coerentes, uma tradição satírica lida como crítica radical da autoridade e de seus abusos.
MARKET VALUE
Para exemplares completos e bem conservados, o mercado registra geralmente uma faixa entre 1.200 e 1.600 euros; cópias em encadernação coeva decorada, com restaurações antigas bem executadas e boa frescura de papel, podem superar esse patamar. A unidade composta, que reúne cinco textos coerentes por tema e origem tipográfica, aumenta o interesse colecionável em relação às edições soltas.
DESCRIÇÃO FÍSICA E CONDIÇÃO
Cinco textos acoplados juntos. Encadernação coeva ou de pouco tempo depois em pleno vitelo marrom, planos lisos com elegante guirlanda oval dourada no centro; dorso com nervuras elevadas com traços de relevos e restaurações antigas.
Exemplar sóbrio, porém requintado, com abrasões naturais e oxidações do couro coerentes com uso plurissecular, dorso restaurado. Amarelamentos e manchações fisiológicas. Paginação total conforme segue: pp. (4); 16 nn.; 724; 2 nn.; 96 nn.; 60; 10 nn.; 96; 8 nn.; 156; 16 nn.; 102; 6 nn.; (2). Em livros antigos, com longa história, podem estar presentes algumas imperfeições, nem sempre apontadas na descrição.
TITULOS COMPLETOS E AUTOR
Junii Juvenalis satires sexdecim, cum veteris scholiastae et Ioa.
[bound with]
Index omnium vocabulorum quae in omnibus D. Iunii Juvenalis Satyiris.
[bound with]
L. Annaei Cornuti Grammatici antiquiss. commentum in Auli Persii Flacci Satyras.
[bound with]
Auli Persii Flacci Severi Satyrarum liber.
[bound with]
Ioannis Tornorupaei in Auli Persii Flacci Satyras notae.
Lutetiae, Apud Claudium Morellum, 1601–1602.
Autori e commentatori:
Decimo Giunio Giovenale
Aulo Persio Flacco
Lucio Anneo Cornuto
Johannes Tornorup (Ioannes Tornorupaeus)
Scholiasta vetus (anonimo)
CONTEXTO E SIGNIFICÂNCIA
A sátira latina nasce como gênero moralmente agressivo; em Juvenal torna-se explicitamente denúncia do poder imperial, da corte, dos patronos corruptos, da aristocracia decadente. Suas dezesseis sátiras colocam Roma em julgamento: o enriquecimento ilícito, a servidão voluntária, a degeneração dos costumes sob o principado. A figura do imperador, muitas vezes insinuada mais do que nomeada, paira como centro sombrio de um sistema que produz medo e conformismo.
Persio, mais jovem e estoico, atua em registro diferente mas complementar: a crítica não se limita ao exterior, mas atinge a hipocrisia cultural, a falsa filosofia, a adulação aos poderosos. Através do comentário de Cornuto e das notas humanistas, a sátira persiana é lida como disciplina moral contra a corrupção da linguagem e do pensamento, isto é, contra as próprias bases do poder.
O aparato exegético renascentista transforma esses textos em instrumentos políticos indiretos. Na Paris do início do Seicento, marcada por conflitos religiosos e pelo fortalecimento da monarquia, a publicação conjunta de Juvenal e Persius, acompanhada por comentadores antigos e modernos, não é neutra: é um ato cultural que reafirma o valor da crítica moral como limite simbólico à autoridade. O volume, em sua unidade material, torna-se assim um corpus coerente sobre a sátira como forma de resistência intelectual.
BIOGRAFIA DOS AUTORES E COMENTADORES
Decimo Giunio Giovenale (I–II século d.C.)
Poeta satírico romano, autor de dezasseis sátiras. Sua obra é marcada por tom indignado e estilo retórico potente; representa a crítica mais áspera dos vícios da Roma imperial.
Aulo Persio Flacco (34–62 d.C.)
Poeta latino de formação estoica, autor de seis sátiras. Morreu jovem, mas deixou uma obra de grande densidade filosófica, centrada na autenticidade moral e na crítica da hipocrisia cultural.
Lucio Anneo Cornuto (I século d.C.)
Filósofo estoico e grammaticus romano, mestre de Persio. Seu comentário sobre as sátiras do discípulo é fundamental para compreender a dimensão ética e dogmática do texto.
Johannes Tornorup (Século XVI)
Umanista dinamarquês ativo no final do Renascimento. Suas notas sobre as sátiras de Persio testemunham o interesse filológico nordicor Europeu pela tradição satírica latina e sua recepção escolar.
Scholiasta vetus (anônimo, alta Antiguidade)
Autor do comentário antigo a Juvenal, conservado na tradição manuscrita. Suas glosas constituem uma fonte primária para a compreensão lexical e histórica das sátiras.
PRINTING HISTORY AND CIRCULATION
A oficina de Claude Morel, ativa em Paris entre o fim do século XVI e o início do XVII, destacou-se pela precisão tipográfica e pela publicação de clássicos latinos acompanhados de aparatos críticos atualizados. As edições de 1601–1602 inserem-se numa fase madura da imprensa humanística, atenta à colação dos códices, à estratificação dos comentários e à criação de ferramentas de consulta (como o Index). A prática de reunir textos afins em um único volume respondia a exigências de estudo sistemático: no caso presente, a construção de um verdadeiro dossiê satírico contra o poder.
BIBLIOGRAFIA E REFERÊNCIAS
ICCU / OPAC SBN: edições parisienses de Juvenal e Persius impressas por Claude Morel, 1601–1602 (fichas catalográficas com indicação de formato, colação e variantes).
Brunet, Manuel du libraire et de l’amateur de livres, entradas “Juvénal” e “Perse”, com indicações sobre as edições parisienses do primeiro século XVII.
Adams, Catalogue of Books Printed on the Continent of Europe, 1501–1600, para a tradição editorial anterior e as bases textuais humanistas.
Grafton, Defenders of the Text, Harvard University Press, para o contexto da filologia renascentista e da cultura do comentário.
Repertórios tipográficos Franceses sobre as edições Morel (início do século XVII), com descrição dos aparatos exegéticos e das variantes."
