Ciceri / Fatio - Kil-Bouroun - 1857





Adicione aos seus favoritos para receber um alerta quando o leilão começar.

Especialista em livros antigos, focada em disputas teológicas desde 1999.
Proteção do comprador da Catawiki
O seu pagamento está seguro connosco até receber o seu objeto.Ver detalhes
Trustpilot 4.4 | 134994 avaliações
Classificada como Excelente na Trustpilot.
Descrição fornecida pelo vendedor
A GUERRA CONGELA NO GELO DO DNIEPR: RARO ÁLBUM DA CAMPANHA DA CRIMEIA
Álbum ilustrado de grande formato (602x435 mm).
Testemunho visual extraordinário da Guerra da Crimeia, Nos Souvenirs de Kil-Bouroun documenta um dos episódios mais extremos e menos representados do conflito: o inverno passado pela marinha francesa imobilizada nos gelos do Liman do Dniepr entre 1855 e 1856. O álbum não celebra a glória militar tradicional, mas captura uma atmosfera suspensa, quase metafísica, feita de gelo, silêncio, navios presos, fortificações improvisadas e homens dispersos num cenário branco e hostil. As magníficas litografias de Eugène Ciceri, Bayot e Morel Fatio transformam o teatro belico em uma visão poética e desolada: o mar congelado tornar-se-ia um deserto mineral, enquanto os navios franceses aparecem como casco de navios encalhados às margens do Império russo. A obra pertence àquela rara iconografia da guerra oitocentista em que a natureza domina completamente o homem e o evento histórico assume um caráter quase romântico e apocalíptico.
VALOR DE MERCADO
Álbuns ilustrados dedicados à Guerra da Crimeia representam um setor muito procurado do colecionismo histórico-militar e iconográfico oitocentista. Os exemplares completos de Nos Souvenirs de Kil-Bouroun, particularmente raros no mercado, costumam alcançar valores entre 700 e 2.000 euros, com picos mais altos para cópias novas, coloridas e completas das litografias.
DESCRIÇÃO FÍSICA E CONDIÇÃO
Grande álbum em plano. Encadernação coeva em meia pele preta com dorso liso decorado em ouro. Encadernação com abrasões e sinais de uso. Completo com o título litográfico sobre fundo concha, de 14 litografias em 15, a maior parte impressa em duas tonalidades e coloridas a mão, executadas por Eugène Ciceri, A. Bayot e Morel Fatio. Presenta ainda o plano da estação invernal de Kil-Bouroun gravado por Avril. As tábuas retratam cenas navais, paisagens geladas, fortificações, acampamentos e vistas do liman do Dniepr durante o inverno da campanha da Crimeia. Algumas ferrugens fisiológicas e manchas arroxeadas, mais evidentes no título e nas margens das tábulas. Em livros antigos, com história plurissecular, podem existir algumas imperfeições, nem sempre detectadas na descrição. Pp. (2); 32nn; (2).
TÍTULO COMPLETO E AUTOR
Nos Souvenirs de Kil-Bouroun pendant l’hiver passé dans le liman du Dnieper 1855-1856.
Paris, Arthus-Bertrand, s.d. [c. 1857].
Eugène Ciceri, Morel Fatio.
CONTEXTO E SIGNIFICÂNCIA
O álbum nasce da experiência direta dos oficiais franceses empenhados na Guerra da Crimeia, um dos grandes conflitos europeus do século XIX travado entre a Rússia e a aliança franco-britânico-otomana. Após a tomada de Sebástopol, parte da frota francesa passou o duríssimo inverno de 1855-1856 bloqueada nos gelos junto a Kil-Bouroun, no liman do Dniepr. Esse episódio gerou uma memória coletiva muito particular: não tanto heroica ou triunfalista, mas marcada pelo isolamento, pelo frio extremo e pela precariedade da vida militar nas fronteiras do Império Russo.
As litografias de Eugène Ciceri e Morel Fatio formam o núcleo artístico da obra. Mais que simples documentos militares, elas pertencem plenamente à sensibilidade romântica francesa: vastas extensões geladas, céus opalinos, navios imobilizados e figuras humanas minúsculas produzem um efeito de melancolia e desolação extraordinariamente moderno. Em algumas tábuas a guerra quase some, substituída pelo próprio cenário, que se torna protagonista absoluto.
O álbum insere-se ainda na grande tradição oitocentista dos “álbuns militares”, obras de luxo destinadas a oficiais, colecionadores e círculos aristocráticos interessados em campanhas napoleônicas e coloniais. Contudo, em comparação com os repertórios celebratórios usuais, Nos Souvenirs de Kil-Bouroun possui um tom muito mais íntimo e contemplativo, quase diarístico, que o torna hoje uma das testemunhas iconográficas mais fascinantes da Guerra da Crimeia.
BIOGRAFIA DOS AUTORES
Eugène Ciceri (1813-1890) foi um dos maiores litógrafos e paisagistas franceses do século XIX, célebre por vistas alpinas, marítimas e cenários teatrais. Morel Fatio (1810-1871), pintor oficial da marinha francesa, documentou numerosos eventos navais e militares da época. Suas colaborações contribuíram para definir o imaginário visual da marinha francesa durante o Segundo Império.
HISTÓRIA DE IMPRESSÃO E CIRCULAÇÃO
Publicado pela Arthus-Bertrand pouco depois do fim da Guerra da Crimeia, o álbum foi destinado a um público restrito de oficiais, ambientes militares e colecionadores de gravuras. A tiragem relativamente limitada e a natureza frágil das grandes tábuas litográficas explicam a raridade atual da obra. Muitos exemplares aparecem incompletos ou com tábuas ausentes, principalmente devido à dispersão das litografias, muitas vezes vendidas separadamente como vistas decorativas de tema naval e militar.
BIBLIOGRAFIA E REFERÊNCIAS
Chadenat, Bibliographie des ouvrages relatifs à l’Afrique et à l’Arabie, n. 1634.
WorldCat: registros do álbum Nos Souvenirs de Kil-Bouroun.
Catálogos Arthus-Bertrand dedicados às campanhas militares francesas.
Benezit, Dictionnaire des peintres, graveurs et sculpteurs, entradas “Ciceri” e “Morel Fatio”.
Mais sobre o vendedor
A GUERRA CONGELA NO GELO DO DNIEPR: RARO ÁLBUM DA CAMPANHA DA CRIMEIA
Álbum ilustrado de grande formato (602x435 mm).
Testemunho visual extraordinário da Guerra da Crimeia, Nos Souvenirs de Kil-Bouroun documenta um dos episódios mais extremos e menos representados do conflito: o inverno passado pela marinha francesa imobilizada nos gelos do Liman do Dniepr entre 1855 e 1856. O álbum não celebra a glória militar tradicional, mas captura uma atmosfera suspensa, quase metafísica, feita de gelo, silêncio, navios presos, fortificações improvisadas e homens dispersos num cenário branco e hostil. As magníficas litografias de Eugène Ciceri, Bayot e Morel Fatio transformam o teatro belico em uma visão poética e desolada: o mar congelado tornar-se-ia um deserto mineral, enquanto os navios franceses aparecem como casco de navios encalhados às margens do Império russo. A obra pertence àquela rara iconografia da guerra oitocentista em que a natureza domina completamente o homem e o evento histórico assume um caráter quase romântico e apocalíptico.
VALOR DE MERCADO
Álbuns ilustrados dedicados à Guerra da Crimeia representam um setor muito procurado do colecionismo histórico-militar e iconográfico oitocentista. Os exemplares completos de Nos Souvenirs de Kil-Bouroun, particularmente raros no mercado, costumam alcançar valores entre 700 e 2.000 euros, com picos mais altos para cópias novas, coloridas e completas das litografias.
DESCRIÇÃO FÍSICA E CONDIÇÃO
Grande álbum em plano. Encadernação coeva em meia pele preta com dorso liso decorado em ouro. Encadernação com abrasões e sinais de uso. Completo com o título litográfico sobre fundo concha, de 14 litografias em 15, a maior parte impressa em duas tonalidades e coloridas a mão, executadas por Eugène Ciceri, A. Bayot e Morel Fatio. Presenta ainda o plano da estação invernal de Kil-Bouroun gravado por Avril. As tábuas retratam cenas navais, paisagens geladas, fortificações, acampamentos e vistas do liman do Dniepr durante o inverno da campanha da Crimeia. Algumas ferrugens fisiológicas e manchas arroxeadas, mais evidentes no título e nas margens das tábulas. Em livros antigos, com história plurissecular, podem existir algumas imperfeições, nem sempre detectadas na descrição. Pp. (2); 32nn; (2).
TÍTULO COMPLETO E AUTOR
Nos Souvenirs de Kil-Bouroun pendant l’hiver passé dans le liman du Dnieper 1855-1856.
Paris, Arthus-Bertrand, s.d. [c. 1857].
Eugène Ciceri, Morel Fatio.
CONTEXTO E SIGNIFICÂNCIA
O álbum nasce da experiência direta dos oficiais franceses empenhados na Guerra da Crimeia, um dos grandes conflitos europeus do século XIX travado entre a Rússia e a aliança franco-britânico-otomana. Após a tomada de Sebástopol, parte da frota francesa passou o duríssimo inverno de 1855-1856 bloqueada nos gelos junto a Kil-Bouroun, no liman do Dniepr. Esse episódio gerou uma memória coletiva muito particular: não tanto heroica ou triunfalista, mas marcada pelo isolamento, pelo frio extremo e pela precariedade da vida militar nas fronteiras do Império Russo.
As litografias de Eugène Ciceri e Morel Fatio formam o núcleo artístico da obra. Mais que simples documentos militares, elas pertencem plenamente à sensibilidade romântica francesa: vastas extensões geladas, céus opalinos, navios imobilizados e figuras humanas minúsculas produzem um efeito de melancolia e desolação extraordinariamente moderno. Em algumas tábuas a guerra quase some, substituída pelo próprio cenário, que se torna protagonista absoluto.
O álbum insere-se ainda na grande tradição oitocentista dos “álbuns militares”, obras de luxo destinadas a oficiais, colecionadores e círculos aristocráticos interessados em campanhas napoleônicas e coloniais. Contudo, em comparação com os repertórios celebratórios usuais, Nos Souvenirs de Kil-Bouroun possui um tom muito mais íntimo e contemplativo, quase diarístico, que o torna hoje uma das testemunhas iconográficas mais fascinantes da Guerra da Crimeia.
BIOGRAFIA DOS AUTORES
Eugène Ciceri (1813-1890) foi um dos maiores litógrafos e paisagistas franceses do século XIX, célebre por vistas alpinas, marítimas e cenários teatrais. Morel Fatio (1810-1871), pintor oficial da marinha francesa, documentou numerosos eventos navais e militares da época. Suas colaborações contribuíram para definir o imaginário visual da marinha francesa durante o Segundo Império.
HISTÓRIA DE IMPRESSÃO E CIRCULAÇÃO
Publicado pela Arthus-Bertrand pouco depois do fim da Guerra da Crimeia, o álbum foi destinado a um público restrito de oficiais, ambientes militares e colecionadores de gravuras. A tiragem relativamente limitada e a natureza frágil das grandes tábuas litográficas explicam a raridade atual da obra. Muitos exemplares aparecem incompletos ou com tábuas ausentes, principalmente devido à dispersão das litografias, muitas vezes vendidas separadamente como vistas decorativas de tema naval e militar.
BIBLIOGRAFIA E REFERÊNCIAS
Chadenat, Bibliographie des ouvrages relatifs à l’Afrique et à l’Arabie, n. 1634.
WorldCat: registros do álbum Nos Souvenirs de Kil-Bouroun.
Catálogos Arthus-Bertrand dedicados às campanhas militares francesas.
Benezit, Dictionnaire des peintres, graveurs et sculpteurs, entradas “Ciceri” e “Morel Fatio”.
