Sylvain Barberot - Vierge luminescente

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Catherine Mikolajczak
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Selecionado por Catherine Mikolajczak

Estudou História da Arte na École du Louvre, com mais de 25 anos em arte contemporânea.

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Sylvain Barberot, Vierge luminescente, escultura em resina com tinta fosforescente, fabricada em França em 2022, 33 cm de altura, 22 cm de largura, 28 cm de profundidade, 840 g, cor beige, assinada à mão, em excelente estado.

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Descrição fornecida pelo vendedor

Análise da obra – *Virgem luminescente*

A *Virgem luminescente* apresenta-se primeiro como uma figura familiar, quase reconfortante: um busto de Virgem inspirado na iconografia religiosa tradicional, reconhecível pelo véu, pela inclinação suave da cabeça e pela expressão serena do rosto. No entanto, essa aparente continuidade com as representações clássicas é rapidamente perturbada por várias alterações significativas que deslocam a obra para um registro contemporâneo, quiçá crítico.

O primeiro elemento marcante é justamente a natureza do objeto: não se trata de uma escultura inteira, mas de um molde, oco, cujo traseiro permanece aberto e visível. Essa materialidade inacabada rompe com a ideia de uma figura sagrada incarnada e estável. O corpo da Virgem torna-se envoltória, superfície, traço de uma ausência em vez de uma presença plena. Essa escolha engaja uma reflexão sobre a reprodução, a série e a perda da unicidade da imagem religiosa no mundo moderno.

À isso acrescenta-se a dimensão da alteração física: a Virgem é cega de um olho. Esse detalhe, discreto porém perturbador, introduz uma tensão entre o sagrado e a fragilidade. A imagem idealizada de pureza e de perfeição está aqui fissurada. O olhar, tradicionalmente portador de espiritualidade e mediação divina, é parcialmente ausente, como se a figura tivesse perdido parte de sua capacidade de ver ou de guiar. Essa cegueira parcial pode ser interpretada como uma metáfora: da fé alterada, de uma tradição que não vê mais plenamente, ou de um olhar humano incapaz de acessar plenamente o divino.

O elemento mais marcante permanece, no entanto, o uso da pintura fosforescente. À luz do dia, a obra aparece pálida, quase frágil, numa tonalidade esverdeada que já evoca certa estranheza. Mas na escuridão, transforma-se radicalmente: a Virgem torna-se fonte de luz, irradiando um verde intenso e espectral. Essa mutação introduz uma dualidade temporal e perceptiva: a obra só é plenamente visível na ausência de luz exterior.

Esse fenômeno inverte os códigos tradicionais da representação sagrada. Normalmente, a luz vem revelar a figura divina; aqui, é a própria figura que emite uma luz artificial. O sagrado não é mais transcendente, mas produzido por um processo químico. Essa inversão pode ser lida como uma reflexão sobre a secularização: a espiritualidade torna-se um efeito, uma ilusão luminosa que persiste na escuridão, porém depende de uma ativação prévia (a exposição à luz).

Por fim, a qualidade quase fantasmagórica da luminescência confere à obra uma presença ambígua, entre aparição e desaparecimento. A Virgem parece assombrar o espaço, oscilando entre proteção e inquietação. Não é mais apenas objeto de devoção, mas também imagem espectral, resíduo luminoso de uma crença passada.

Assim, *Virgem luminescente* articula com sutileza várias tensões: entre cheio e oco, sagrado e profano, visibilidade e escuridão, presença e ausência. Ao transformar uma figura icônica em objeto alterado e luminescente, a obra questiona a persistência dos símbolos religiosos em um mundo contemporâneo onde a própria luz se torna artificial e instável.

Análise da obra – *Virgem luminescente*

A *Virgem luminescente* apresenta-se primeiro como uma figura familiar, quase reconfortante: um busto de Virgem inspirado na iconografia religiosa tradicional, reconhecível pelo véu, pela inclinação suave da cabeça e pela expressão serena do rosto. No entanto, essa aparente continuidade com as representações clássicas é rapidamente perturbada por várias alterações significativas que deslocam a obra para um registro contemporâneo, quiçá crítico.

O primeiro elemento marcante é justamente a natureza do objeto: não se trata de uma escultura inteira, mas de um molde, oco, cujo traseiro permanece aberto e visível. Essa materialidade inacabada rompe com a ideia de uma figura sagrada incarnada e estável. O corpo da Virgem torna-se envoltória, superfície, traço de uma ausência em vez de uma presença plena. Essa escolha engaja uma reflexão sobre a reprodução, a série e a perda da unicidade da imagem religiosa no mundo moderno.

À isso acrescenta-se a dimensão da alteração física: a Virgem é cega de um olho. Esse detalhe, discreto porém perturbador, introduz uma tensão entre o sagrado e a fragilidade. A imagem idealizada de pureza e de perfeição está aqui fissurada. O olhar, tradicionalmente portador de espiritualidade e mediação divina, é parcialmente ausente, como se a figura tivesse perdido parte de sua capacidade de ver ou de guiar. Essa cegueira parcial pode ser interpretada como uma metáfora: da fé alterada, de uma tradição que não vê mais plenamente, ou de um olhar humano incapaz de acessar plenamente o divino.

O elemento mais marcante permanece, no entanto, o uso da pintura fosforescente. À luz do dia, a obra aparece pálida, quase frágil, numa tonalidade esverdeada que já evoca certa estranheza. Mas na escuridão, transforma-se radicalmente: a Virgem torna-se fonte de luz, irradiando um verde intenso e espectral. Essa mutação introduz uma dualidade temporal e perceptiva: a obra só é plenamente visível na ausência de luz exterior.

Esse fenômeno inverte os códigos tradicionais da representação sagrada. Normalmente, a luz vem revelar a figura divina; aqui, é a própria figura que emite uma luz artificial. O sagrado não é mais transcendente, mas produzido por um processo químico. Essa inversão pode ser lida como uma reflexão sobre a secularização: a espiritualidade torna-se um efeito, uma ilusão luminosa que persiste na escuridão, porém depende de uma ativação prévia (a exposição à luz).

Por fim, a qualidade quase fantasmagórica da luminescência confere à obra uma presença ambígua, entre aparição e desaparecimento. A Virgem parece assombrar o espaço, oscilando entre proteção e inquietação. Não é mais apenas objeto de devoção, mas também imagem espectral, resíduo luminoso de uma crença passada.

Assim, *Virgem luminescente* articula com sutileza várias tensões: entre cheio e oco, sagrado e profano, visibilidade e escuridão, presença e ausência. Ao transformar uma figura icônica em objeto alterado e luminescente, a obra questiona a persistência dos símbolos religiosos em um mundo contemporâneo onde a própria luz se torna artificial e instável.

Dados

Era
Depois de 2000
Vendido por
Vindo diretamente do artista
País de origem
França
Material
phosphorescent paint, Resina
Artista
Sylvain Barberot
Título da obra de arte
Vierge luminescente
Assinatura
Assinado à mão
Ano
2022
Cor
Bege
Estado
Excelente estado
Altura
33 cm
Largura
22 cm
Profundidade
28 cm
Peso
840 g
Vendido por
FrançaVerificado
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Privado

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