Máscara de ferreiro - Sénoufo - Costa do Marfim






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Máscara de bronze Sénoufo forjador, Costa do Marfim, 27 cm de altura, 15,5 cm de largura, 10 cm de profundidade, peso 1,17 kg, em bom estado.
Descrição fornecida pelo vendedor
Costa do Marfim
Senoufo
Bronze africano
Altura: 270mm
Largura: 155mm
Profundidade: 100mm
Peso: 950gr
1. Atribuição e contexto cultural
Este máscara em bronze com 27 cm pode ser aproximada da tradição senoufo do norte da Costa do Marfim. Mais precisamente, inscreve-se no repertório iconográfico relacionado aos ferreiros senoufo (Fonombele), casta altamente respeitada cujas competências técnicas eram indissociáveis de um poder ritual. Contudo, convém esclarecer que as máscaras cerimoniais senoufo são tradicionalmente esculpidas em madeira; uma realização em bronze constitui, portanto, uma obra excepcional, provavelmente destinada a um chefe, a um dignitário, a um santuário ou criada como objeto de prestígio inspirado nos modelos rituais.
2. Os ferreiros na sociedade senoufo
Entre os Senoufo, os ferreiros não eram simples artesãos. Pertenciam a uma corporação iniciática que possuía um estatuto particular. Fabricavam ferramentas agrícolas, armas, instrumentos musicais, joias e objetos cultuais. Por saberem transformar o minério bruto em metal, eram considerados detentores de um conhecimento comparável ao dos mestres da iniciação do Poro. A sua atividade era percebida como uma reprodução do poder criador dos antepassados.
3. O bronze como material simbólico
Ao contrário da madeira, destinada às grandes cerimônias públicas, o bronze possui um valor duradouro e prestigiante. Resiste ao tempo, conserva a memória e evoca a permanência das forças ancestrais. A fundição à cera perdida exige um savoir-faire complexo que aproxima o fundidor do ferreiro tradicional. Assim, neste máscara, o material participa plenamente da mensagem: celebra tanto o poder dos espíritos quanto o do mestre artesão capaz de dominar o fogo.
4. Descrição geral
O rosto apresenta uma forma extremamente alongada, organizado em torno de um eixo central muito marcado. Os volumes permanecem sóbrios, enquanto os relevos permanecem deliberadamente limitados. Esta economia de meios é característica de muitas criações senoufo, onde a força expressiva nasce mais do equilíbrio das formas do que da sua abundância decorativa.
5. O rosto
O rosto adota uma geometria quase arquitetônica. A longa crista nasal estrutura toda a composição, enquanto as bochechas planas acentuam a impressão de estabilidade. Essa monumentalidade traduz a presença de um espírito superior, mais do que a de um ser humano específico.
6. Os olhos
Os olhos reduzidos a finas fendas horizontais constituem um dos principais sinais de sabedoria iniciática. No pensamento senoufo, o iniciado realizado não observa apenas com os olhos, mas com o espírito. As pálpebras quase fechadas exprimem o domínio interior, a calma e o conhecimento adquirido ao término das longas iniciações do Poro.
7. O nariz
O nariz, muito desenvolvido, domina o conjunto da máscara. Constitui o eixo simbólico que une a terra, os homens e o mundo invisível. Em várias tradições senoufo, o sopro representa a vida transmitida pelos antepassados; o nariz torna-se então o canal dessa energia vital.
8. A boca
A boca saliente, levemente aberta, evoca a palavra sagrada. Entre os ferreiros, a palavra possui uma força particular: acompanha as bênçãos, os juramentos, as transmissões técnicas e as fórmulas rituais destinadas a proteger o trabalho do metal. Esta boca não é de um orador, mas de um depositário de saber.
9. As orelhas
As orelhas relativamente discretas, no entanto, lembram a importância da escuta na formação iniciática. O futuro ferreiro aprende primeiro observando e ouvindo os antigos antes de ser autorizado a manusear o fogo e o metal.
10. As tors as laterais
As pequenas chifras colocadas nos lados do rosto pertencem à linguagem simbólica senoufo. Representam a força animal dominada. O ferreiro transforma a violência do fogo assim como o touro transforma seu poder em energia produtiva. As chifras tornam-se assim o sinal de dominação das forças naturais.
11. O animal sumital
O pequeno animal colocado no topo evoca muito provavelmente o calao, ave emblemática da cosmologia senoufo. O calao está associado às origens do mundo, aos antepassados fundadores e à transmissão de conhecimentos. Sua presença no topo da máscara indica que a sabedoria do ferreiro provém diretamente dos ensinamentos ancestrais.
12. O penteamento radiante
Os relevos radiantes que enquadram o topo do rosto lembram os penteados rituais bem como as fibras vegetais que envolviam as máscaras de madeira. Eles criam uma impressão de radiância espiritual e destacam a parte superior onde assenta o animal protector.
13. Os furos periféricos
Os numerosos furos distribuídos ao redor correspondem aos sistemas de fixação observados nas verdadeiras máscaras senoufo. Eles normalmente permitiam prender uma abundante gola de fibras vegetais, couro ou têxtil que cobria completamente a cabeça do dançarino. Nesta versão metálica, esses furos testemunham uma vontade de reproduzir fielmente o modelo tradicional.
14. A função das máscaras nos ferreiros
Os ferreiros senoufo possuíam seus próprios objetos rituais usados durante certas cerimônias ligadas à iniciação, à proteção das oficinas ou aos funerais de mestres artesãos. Uma máscara inspirada no seu universo podia symbolizar o domínio dos elementos fundamentais: o fogo, a terra, o minério e o sopro. Também podia lembrar a responsabilidade moral do ferreiro, encarregado de fabricar tanto ferramentas agrícolas quanto armas.
15. Os vínculos com o Poro
Mesmo quando os ferreiros possuíam tradições particulares, a sua atividade permanecia intimamente ligada ao Poro, grande instituição iniciática senoufo. Os mestres ferreiros fabricavam numerosos objetos usados nas cerimônias do Poro e participavam por vezes em certas funções rituais. A máscara exprime, portanto, a união entre saber técnico e saber religioso.
16. Função simbólica
Esta máscara reúne vários níveis de significado: a sabedoria do iniciado expressa pelos olhos fechados, a transmissão do saber figurada pelo calao, a potência dominada representada pelas chifres, a palavra sagrada incarnada pela boca e a permanência da memória materializada pelo bronze. Ela não representa um homem, mas o ideal do mestre ferreiro, mediador entre os homens, os antepassados e as forças naturais.
17. Técnica de fabricação
A peça parece ter sido produzida segundo a técnica tradicional de fundição em cera perdida, amplamente praticada na África Ocidental. As irregularidades de superfície, as diferenças de espessura e a textura interna visíveis no verso testemunham uma fabricação artesanal. As pequenas imperfeições de fundição reforçam essa impressão de trabalho manual.
18. A patina
A superfície apresenta uma patina que mistura tons marrom dourado, verde oliva e marrom escuro resultantes da oxidação natural de ligas de cobre. Esta patina é coerente com uma certa antiguidade e uma longa exposição ao ar. Contribui fortemente para o caráter estético e histórico do objeto.
19. Datação provável
Na ausência de análise metalográfica ou de proveniência documentada, uma datação precisa permanece impossível. Segundo o estilo e a técnica, esta fundição pode ter sido realizada na segunda metade do século XX, numa época em que vários ateliês da África Ocidental produziam obras de prestígio inspiradas nos grandes repertórios tradicionais senoufo.
20. Conclusão
Este máscara em bronze de 27 cm, inspirado na tradição dos ferreiros senoufo da Costa do Marfim, constitui uma obra singular que traduz para o metal os principais símbolos do universo iniciático senoufo. Seu rosto hiératico, seu animal sumital evocando o calao, suas chifres protetores e sua construção rigidamente simétrica lembram os grandes máscaras do Poro, ao mesmo tempo em que valorizam o papel fundamental dos ferreiros na sociedade tradicional. Trata-se muito provavelmente de um objeto de prestígio ou de representação, destinado a evocar o poder espiritual do mestre ferreiro e seu papel de mediador entre os homens, os antepassados e as forças criadoras do fogo e do metal. Por outro lado, é improvável que tenha servido como máscara de dança cerimonial no sentido estrito, já que o bronze é demasiado pesado e raro para esse uso na tradição senoufo.
Os pacotes são enviados de segunda a sábado com seguro e número de rastreio.
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Mais sobre o vendedor
Costa do Marfim
Senoufo
Bronze africano
Altura: 270mm
Largura: 155mm
Profundidade: 100mm
Peso: 950gr
1. Atribuição e contexto cultural
Este máscara em bronze com 27 cm pode ser aproximada da tradição senoufo do norte da Costa do Marfim. Mais precisamente, inscreve-se no repertório iconográfico relacionado aos ferreiros senoufo (Fonombele), casta altamente respeitada cujas competências técnicas eram indissociáveis de um poder ritual. Contudo, convém esclarecer que as máscaras cerimoniais senoufo são tradicionalmente esculpidas em madeira; uma realização em bronze constitui, portanto, uma obra excepcional, provavelmente destinada a um chefe, a um dignitário, a um santuário ou criada como objeto de prestígio inspirado nos modelos rituais.
2. Os ferreiros na sociedade senoufo
Entre os Senoufo, os ferreiros não eram simples artesãos. Pertenciam a uma corporação iniciática que possuía um estatuto particular. Fabricavam ferramentas agrícolas, armas, instrumentos musicais, joias e objetos cultuais. Por saberem transformar o minério bruto em metal, eram considerados detentores de um conhecimento comparável ao dos mestres da iniciação do Poro. A sua atividade era percebida como uma reprodução do poder criador dos antepassados.
3. O bronze como material simbólico
Ao contrário da madeira, destinada às grandes cerimônias públicas, o bronze possui um valor duradouro e prestigiante. Resiste ao tempo, conserva a memória e evoca a permanência das forças ancestrais. A fundição à cera perdida exige um savoir-faire complexo que aproxima o fundidor do ferreiro tradicional. Assim, neste máscara, o material participa plenamente da mensagem: celebra tanto o poder dos espíritos quanto o do mestre artesão capaz de dominar o fogo.
4. Descrição geral
O rosto apresenta uma forma extremamente alongada, organizado em torno de um eixo central muito marcado. Os volumes permanecem sóbrios, enquanto os relevos permanecem deliberadamente limitados. Esta economia de meios é característica de muitas criações senoufo, onde a força expressiva nasce mais do equilíbrio das formas do que da sua abundância decorativa.
5. O rosto
O rosto adota uma geometria quase arquitetônica. A longa crista nasal estrutura toda a composição, enquanto as bochechas planas acentuam a impressão de estabilidade. Essa monumentalidade traduz a presença de um espírito superior, mais do que a de um ser humano específico.
6. Os olhos
Os olhos reduzidos a finas fendas horizontais constituem um dos principais sinais de sabedoria iniciática. No pensamento senoufo, o iniciado realizado não observa apenas com os olhos, mas com o espírito. As pálpebras quase fechadas exprimem o domínio interior, a calma e o conhecimento adquirido ao término das longas iniciações do Poro.
7. O nariz
O nariz, muito desenvolvido, domina o conjunto da máscara. Constitui o eixo simbólico que une a terra, os homens e o mundo invisível. Em várias tradições senoufo, o sopro representa a vida transmitida pelos antepassados; o nariz torna-se então o canal dessa energia vital.
8. A boca
A boca saliente, levemente aberta, evoca a palavra sagrada. Entre os ferreiros, a palavra possui uma força particular: acompanha as bênçãos, os juramentos, as transmissões técnicas e as fórmulas rituais destinadas a proteger o trabalho do metal. Esta boca não é de um orador, mas de um depositário de saber.
9. As orelhas
As orelhas relativamente discretas, no entanto, lembram a importância da escuta na formação iniciática. O futuro ferreiro aprende primeiro observando e ouvindo os antigos antes de ser autorizado a manusear o fogo e o metal.
10. As tors as laterais
As pequenas chifras colocadas nos lados do rosto pertencem à linguagem simbólica senoufo. Representam a força animal dominada. O ferreiro transforma a violência do fogo assim como o touro transforma seu poder em energia produtiva. As chifras tornam-se assim o sinal de dominação das forças naturais.
11. O animal sumital
O pequeno animal colocado no topo evoca muito provavelmente o calao, ave emblemática da cosmologia senoufo. O calao está associado às origens do mundo, aos antepassados fundadores e à transmissão de conhecimentos. Sua presença no topo da máscara indica que a sabedoria do ferreiro provém diretamente dos ensinamentos ancestrais.
12. O penteamento radiante
Os relevos radiantes que enquadram o topo do rosto lembram os penteados rituais bem como as fibras vegetais que envolviam as máscaras de madeira. Eles criam uma impressão de radiância espiritual e destacam a parte superior onde assenta o animal protector.
13. Os furos periféricos
Os numerosos furos distribuídos ao redor correspondem aos sistemas de fixação observados nas verdadeiras máscaras senoufo. Eles normalmente permitiam prender uma abundante gola de fibras vegetais, couro ou têxtil que cobria completamente a cabeça do dançarino. Nesta versão metálica, esses furos testemunham uma vontade de reproduzir fielmente o modelo tradicional.
14. A função das máscaras nos ferreiros
Os ferreiros senoufo possuíam seus próprios objetos rituais usados durante certas cerimônias ligadas à iniciação, à proteção das oficinas ou aos funerais de mestres artesãos. Uma máscara inspirada no seu universo podia symbolizar o domínio dos elementos fundamentais: o fogo, a terra, o minério e o sopro. Também podia lembrar a responsabilidade moral do ferreiro, encarregado de fabricar tanto ferramentas agrícolas quanto armas.
15. Os vínculos com o Poro
Mesmo quando os ferreiros possuíam tradições particulares, a sua atividade permanecia intimamente ligada ao Poro, grande instituição iniciática senoufo. Os mestres ferreiros fabricavam numerosos objetos usados nas cerimônias do Poro e participavam por vezes em certas funções rituais. A máscara exprime, portanto, a união entre saber técnico e saber religioso.
16. Função simbólica
Esta máscara reúne vários níveis de significado: a sabedoria do iniciado expressa pelos olhos fechados, a transmissão do saber figurada pelo calao, a potência dominada representada pelas chifres, a palavra sagrada incarnada pela boca e a permanência da memória materializada pelo bronze. Ela não representa um homem, mas o ideal do mestre ferreiro, mediador entre os homens, os antepassados e as forças naturais.
17. Técnica de fabricação
A peça parece ter sido produzida segundo a técnica tradicional de fundição em cera perdida, amplamente praticada na África Ocidental. As irregularidades de superfície, as diferenças de espessura e a textura interna visíveis no verso testemunham uma fabricação artesanal. As pequenas imperfeições de fundição reforçam essa impressão de trabalho manual.
18. A patina
A superfície apresenta uma patina que mistura tons marrom dourado, verde oliva e marrom escuro resultantes da oxidação natural de ligas de cobre. Esta patina é coerente com uma certa antiguidade e uma longa exposição ao ar. Contribui fortemente para o caráter estético e histórico do objeto.
19. Datação provável
Na ausência de análise metalográfica ou de proveniência documentada, uma datação precisa permanece impossível. Segundo o estilo e a técnica, esta fundição pode ter sido realizada na segunda metade do século XX, numa época em que vários ateliês da África Ocidental produziam obras de prestígio inspiradas nos grandes repertórios tradicionais senoufo.
20. Conclusão
Este máscara em bronze de 27 cm, inspirado na tradição dos ferreiros senoufo da Costa do Marfim, constitui uma obra singular que traduz para o metal os principais símbolos do universo iniciático senoufo. Seu rosto hiératico, seu animal sumital evocando o calao, suas chifres protetores e sua construção rigidamente simétrica lembram os grandes máscaras do Poro, ao mesmo tempo em que valorizam o papel fundamental dos ferreiros na sociedade tradicional. Trata-se muito provavelmente de um objeto de prestígio ou de representação, destinado a evocar o poder espiritual do mestre ferreiro e seu papel de mediador entre os homens, os antepassados e as forças criadoras do fogo e do metal. Por outro lado, é improvável que tenha servido como máscara de dança cerimonial no sentido estrito, já que o bronze é demasiado pesado e raro para esse uso na tradição senoufo.
Os pacotes são enviados de segunda a sábado com seguro e número de rastreio.
Entrega entre 1 a 3 dias na França com Chronopost, 2 a 5 dias em toda a União Europeia.
Entrega no resto da Europa e no mundo inteiro em Colissimo internacional.
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