Martialis - Epigrammata Obscœnis - 1752






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Epigrammata Obscœnis de Marcus Valerius Martialis, edição veneziana de 1752 em latim com encadernação em pergaminho, 726 páginas, primeira edição neste formato, em bom estado.
Descrição fornecida pelo vendedor
MARZIALE EMENDATO DALL’OSCENO : UM CLÁSSICO LATINO ENTRE ESCÂNDALO E CENSURA
Interessante e fascinante edição setecentista dos Epigrammas de Marquial, proposta na célebre versão “depurada” curada pelo jesuíta Joseph de Jouvancy (Josephus Juvencius), figura central da pedagogia humanística da Companhia de Jesus. A obra testemunha perfeitamente a relação dúbia e refinada entre cultura clássica e censura moral na Europa Católica do século XVIII: o texto do grande epigrammista romano é conservado, comentado e estudado, mas cuidadosamente purgado dos trechos considerados obscenos. O exemplar conserva ainda anotações manuscritas antigas e uma sugestiva encadernação em pele coeva de uso escolar ou conventual, que restitui toda a materialidade da leitura erudita setecentista.
MARKET VALUE
As edições venezianas setecentistas de Marquial anotadas por editores jesuítas, sobretudo com encadernação coeva e com proveniências antigas manuscritas, situam-se geralmente entre 300 e 600 euros no mercado de antiguidades, com valores superiores para cópias especialmente bem conservadas ou completas com anotações da época.
PHYSICAL DESCRIPTION AND CONDITION
Encadernação coeva em plena pergaminata, com título manuscrito na lombada. Ressorro com antiga nota de posse manuscrita datada de 1784. Interior com algumas tonificações fisiológicas. Em livros antigos, com uma história plurissecular, podem estar presentes algumas imperfeições, nem sempre detectáveis na descrição. Pp. (2); 10nn; 686; 26nn; (2).
FULL TITLE AND AUTHOR
Epigrammata demptis obscœnis.
Venetiis, apud Nicolaum Pezzana, 1752.
Marcus Valerius Martialis, com comentário e interpretação de Josephus Juvencius.
CONTEXT AND SIGNIFICANCE
Esta edição representa um extraordinário exemplo da fortuna “moralizada” dos clássicos latinos na Europa Católica da primeira fase da modernidade. Marziale, autor brilhante, satírico e frequentemente explicitamente obsceno, constituía de facto um problema cultural para os ambientes educativos religiosos: demasiado importante para ser excluído do cânone escolar, mas demasiado licencioso para ser transmitido integralmente aos estudantes.
A solução adotada pelos Jesuítas foi produzir versões “castigadas” ou “depuradas”, nas quais os epigramas considerados imorais eram eliminados ou modificados. Joseph de Jouvancy, um dos mais influentes pedagógos da Companhia de Jesus, elaborou uma versão comentada destinada ao ensino do latim e da retórica, permitindo assim a sobrevivência escolar de Marziale dentro da cultura contrarreformista. O resultado é um objeto culturalmente fascinante: um autor irônico, irreverente e urbano transformado em instrumento educativo controlado. A edição também reflete o papel de Veneza como grande centro editorial católico no século XVIII e documenta a longa sobrevivência do humanismo latino nas escolas religiosas europeias.
BIOGRAPHY OF THE AUTHOR
Marco Valerio Marziale (aprox. 38–104 d.C.) foi um dos mais célebres epigramistas da literatura latina. Nascido na Hispania Tarraconensis, viveu em Roma sob os imperadores flavii, onde desenvolveu um estilo rápido, mordaz e frequentemente provocador. Seus Epigrammata constituem uma extraordinária testemunha da vida cotidiana romana, entre sátira social, erotismo, ironia e observação psicológica.
Joseph de Jouvancy (1643–1719), conhecido em latim como Josephus Juvencius, foi jesuíta, humanista e pedagogista francês. Ensinou retórica e letras clássicas e teve um papel fundamental na definição dos programas educativos jesuíticos. Suas edições comentadas dos clássicos latinos foram amplamente difundidas nas escolas europeias.
PRINTING HISTORY AND CIRCULATION
As edições “depurgadas” de Marziale tiveram enorme circulação entre os séculos XVII e XVIII, principalmente em ambientes escolares católicos. A impressão veneziana de Nicola Pezzana insere-se na grande tradição editorial humanística da Sereníssima, que continuou a produzir textos clássicos anotados e destinados à instrução mesmo no final do Séc. XVIII. Estas edições eram frequentemente utilizadas em colégios religiosos, bibliotecas conventuais e escolas de gramática latina. As notas manuscritas presentes no exemplar e a encadernação em pergaminha de uso seguramente comprovam uma longa circulação escolar ou eclesiástica do volume.
BIBLIOGRAPHY AND REFERENCES
Brunet, Jacques-Charles, Manuel du Libraire, III, colunas dedicadas a Martial.
Graess, Trésor de livres rares et précieux, IV, p. 438.
Schreiber, The Jesuit Tradition in Classical Studies.
New Pauly, entrada “Martial”.
Enciclopedia Virgiliana / Treccani, entrada “Marziale”.
ICCU / OPAC SBN, edições venezianas Pezzana do XVIII século.
BnF – Bibliothèque nationale de France, catálogos das edições jesuíticas de Marziale.
Sommervogel, Bibliothèque de la Compagnie de Jésus, entrada “Juvencius”.
Adams, Catalogue of Books Printed on the Continent of Europe, seções dedicadas a Martial e Juvencius.
Mais sobre o vendedor
MARZIALE EMENDATO DALL’OSCENO : UM CLÁSSICO LATINO ENTRE ESCÂNDALO E CENSURA
Interessante e fascinante edição setecentista dos Epigrammas de Marquial, proposta na célebre versão “depurada” curada pelo jesuíta Joseph de Jouvancy (Josephus Juvencius), figura central da pedagogia humanística da Companhia de Jesus. A obra testemunha perfeitamente a relação dúbia e refinada entre cultura clássica e censura moral na Europa Católica do século XVIII: o texto do grande epigrammista romano é conservado, comentado e estudado, mas cuidadosamente purgado dos trechos considerados obscenos. O exemplar conserva ainda anotações manuscritas antigas e uma sugestiva encadernação em pele coeva de uso escolar ou conventual, que restitui toda a materialidade da leitura erudita setecentista.
MARKET VALUE
As edições venezianas setecentistas de Marquial anotadas por editores jesuítas, sobretudo com encadernação coeva e com proveniências antigas manuscritas, situam-se geralmente entre 300 e 600 euros no mercado de antiguidades, com valores superiores para cópias especialmente bem conservadas ou completas com anotações da época.
PHYSICAL DESCRIPTION AND CONDITION
Encadernação coeva em plena pergaminata, com título manuscrito na lombada. Ressorro com antiga nota de posse manuscrita datada de 1784. Interior com algumas tonificações fisiológicas. Em livros antigos, com uma história plurissecular, podem estar presentes algumas imperfeições, nem sempre detectáveis na descrição. Pp. (2); 10nn; 686; 26nn; (2).
FULL TITLE AND AUTHOR
Epigrammata demptis obscœnis.
Venetiis, apud Nicolaum Pezzana, 1752.
Marcus Valerius Martialis, com comentário e interpretação de Josephus Juvencius.
CONTEXT AND SIGNIFICANCE
Esta edição representa um extraordinário exemplo da fortuna “moralizada” dos clássicos latinos na Europa Católica da primeira fase da modernidade. Marziale, autor brilhante, satírico e frequentemente explicitamente obsceno, constituía de facto um problema cultural para os ambientes educativos religiosos: demasiado importante para ser excluído do cânone escolar, mas demasiado licencioso para ser transmitido integralmente aos estudantes.
A solução adotada pelos Jesuítas foi produzir versões “castigadas” ou “depuradas”, nas quais os epigramas considerados imorais eram eliminados ou modificados. Joseph de Jouvancy, um dos mais influentes pedagógos da Companhia de Jesus, elaborou uma versão comentada destinada ao ensino do latim e da retórica, permitindo assim a sobrevivência escolar de Marziale dentro da cultura contrarreformista. O resultado é um objeto culturalmente fascinante: um autor irônico, irreverente e urbano transformado em instrumento educativo controlado. A edição também reflete o papel de Veneza como grande centro editorial católico no século XVIII e documenta a longa sobrevivência do humanismo latino nas escolas religiosas europeias.
BIOGRAPHY OF THE AUTHOR
Marco Valerio Marziale (aprox. 38–104 d.C.) foi um dos mais célebres epigramistas da literatura latina. Nascido na Hispania Tarraconensis, viveu em Roma sob os imperadores flavii, onde desenvolveu um estilo rápido, mordaz e frequentemente provocador. Seus Epigrammata constituem uma extraordinária testemunha da vida cotidiana romana, entre sátira social, erotismo, ironia e observação psicológica.
Joseph de Jouvancy (1643–1719), conhecido em latim como Josephus Juvencius, foi jesuíta, humanista e pedagogista francês. Ensinou retórica e letras clássicas e teve um papel fundamental na definição dos programas educativos jesuíticos. Suas edições comentadas dos clássicos latinos foram amplamente difundidas nas escolas europeias.
PRINTING HISTORY AND CIRCULATION
As edições “depurgadas” de Marziale tiveram enorme circulação entre os séculos XVII e XVIII, principalmente em ambientes escolares católicos. A impressão veneziana de Nicola Pezzana insere-se na grande tradição editorial humanística da Sereníssima, que continuou a produzir textos clássicos anotados e destinados à instrução mesmo no final do Séc. XVIII. Estas edições eram frequentemente utilizadas em colégios religiosos, bibliotecas conventuais e escolas de gramática latina. As notas manuscritas presentes no exemplar e a encadernação em pergaminha de uso seguramente comprovam uma longa circulação escolar ou eclesiástica do volume.
BIBLIOGRAPHY AND REFERENCES
Brunet, Jacques-Charles, Manuel du Libraire, III, colunas dedicadas a Martial.
Graess, Trésor de livres rares et précieux, IV, p. 438.
Schreiber, The Jesuit Tradition in Classical Studies.
New Pauly, entrada “Martial”.
Enciclopedia Virgiliana / Treccani, entrada “Marziale”.
ICCU / OPAC SBN, edições venezianas Pezzana do XVIII século.
BnF – Bibliothèque nationale de France, catálogos das edições jesuíticas de Marziale.
Sommervogel, Bibliothèque de la Compagnie de Jésus, entrada “Juvencius”.
Adams, Catalogue of Books Printed on the Continent of Europe, seções dedicadas a Martial e Juvencius.
