Vigerio - [Post Incunable] Decachordum - 1507
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![Vigerio - [Post Incunable] Decachordum - 1507 #4.3](https://assets.catawiki.com/image/cw_ldp_l/plain/assets/catawiki/assets/2026/4/12/f/7/a/f7aadc83-4abe-408c-ad59-358280405c0f.jpg)
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O DECACORDO DA SALVAÇÃO: ENTRE ICONOGRAFIA MÍSTICA E PODER DA CASA DE ROVERES NO ALvorecer do Quinhentos
O Decachordum Christianum de Marco Vigerio impõe-se como uma das sínteses mais fascinantes e complexas entre teologia, imagem e propaganda eclesiástica no primeiro Renascimento. Publicada em 1507 pela oficina de Girolamo Soncino, esta suntuosa editio princeps une uma construída doutrinária refinada a um aparato iconográfico de extraordinário poder visivo, no qual a vida e os mistérios de Cristo são transfigurados em sequências simbólicas e narrativas. A obra, dedicada a Júlio II, reflete o entrelaçamento entre devoção, política e representação do sagrado, configurando-se como um verdadeiro objeto de prestígio cultural e espiritual. A riqueza das xilogravuras e a qualidade tipográfica fazem dela um livro total, em que palavra e imagem concorrem para a construção de uma linguagem teológica altamente sugestiva, destinada a influenciar também as artes figurativas coevas.
VALOR DE MERCADO
As cópias da princeps de 1507, sobretudo se completas e com o aparato ilustrativo íntegro, são extremamente procuradas. O mercado registra avaliações geralmente entre 12.000 e 30.000 euros, com exemplares excelentes que podem superar tal faixa. Cópias defeituosas ou com adições, como no caso presente, situam-se mais realisticamente entre 7.000 e 15.000 euros, mantendo ainda forte interesse colecionista pela qualidade iconográfica e pela relevância histórica.
DESCRIÇÃO FÍSICA E CONDIÇÃO
Encadernação em pele integral de uma escola oitocentista, lombada em nervuras com ornamentos dourados nas divisões e título em tirante, cortes coloridos, contracapas em papel decorado. Capa de rosto dentro de elegante moldura xilográfica fitomórfica sobre fundo preto com grande brasão cardinalício ao centro. Ilustração de apoio composta por 8 de 10 xilografias em página inteira dentro de molduras ornamentais e numerosas vinhetas no texto representando episódios da vida de Cristo. Presença de manchas marginais, mais evidentes nas últimas folhas; lombada de rosto levemente amarelada; reforços na junção de A1, C8 e fascículo E; algumas flores e manchas; restauração em rasgo em n1 sem perda de texto; algumas páginas amareladas. Em livros antigos, com uma história plurissecular, podem existir imperfeições não sempre detalhadas na descrição. Pp. (2); 14nn; 492; 32; (2).
TÍTULO COMPLETO E AUTOR
Decachordum Christianum Iulio II Pont. Max. dicatum
Fano, Hieronymus Soncinus, 1507.
Marco Vigerio.
CONTEXTO E SIGNIFICADO
O Decachordum está organizado em dez livros, cada um introduzido por uma grande xilogravura, segundo uma estrutura simbólica que remete ao número perfeito e harmônico do “decacordo”, metáfora da ordem divina. A obra aborda temas centrais da teologia cristã — da vida e paixão de Cristo à natureza dos anjos — através de curtos tratados que combinam erudição escolástica e tensão visionária. O aparato iconográfico não é mero complemento, mas parte integrante do discurso teológico: as imagens traduzem em forma visual conceitos complexos, criando um diálogo contínuo entre texto e figura. Nesse sentido, o volume situa-se numa linha de pensamento que antecipa desenvolvimentos importantes na arte renascentista; alguns estudiosos sugeriram uma relação indireta com o programa iconográfico michelangiolo da Capela Sistina, particularmente no que diz respeito à genealogia de Cristo. A obra representa, além disso, uma poderosa ferramenta de autorrepresentação da família Della Rovere, inserindo-se no contexto político e cultural do pontificado de Júlio II.
BIOGRAFIA DO AUTOR
Marco Vigerio della Rovere (1446–1516), cardeal e arcebispo, foi uma figura eminente da cúria romana no pleno Renascimento. Parente de Papa Júlio II, desempenhou papel significativo na vida política e Eclesiástica de seu tempo. Humanista e teólogo, destacou-se pela produção literária que combina doutrina e retórica, inserindo-se no clima cultural de renovação e magnificência promovido pela Roma roveresca.
HISTÓRIA DE IMPRESSÃO E CIRCULAÇÃO
Impressa em Fano pela Girolamo Soncino, membro da célebre dinastia tipográfica judaica convertida, a edição de 1507 representa a primeira e mais importante aparição da obra. A impressão, realizada com grande dispêndio econômico (tradicionalmente indicado em 181 ducados), atesta o elevado nível técnico e artístico alcançado pela oficina Soncino. A tiragem não devia ser ampla, destinada a um público seleto de religiosos e humanistas, fator que contribui hoje para a raridade da obra no mercado.
BIBLIOGRAFIA E REFERÊNCIAS
EDIT16 (ICCU): CNCE 63347 (exemplares catalogados em bibliotecas italianas)
Essling, Les livres à figures vénitiens, I, p. 145
Mortimer, Harvard Italian 16th Century Books, n. 537
Sander, Le livre à figures italien, n. 7589
WorldCat: registro da edição de Fano 1507 com localizações institucionais
Treccani, entrada “Marco Vigerio della Rovere” (para contexto histórico e interpretativo)
ISTC (para comparação com produção coeva Soncino, dados por verificar para edição específica)
Mais sobre o vendedor
O DECACORDO DA SALVAÇÃO: ENTRE ICONOGRAFIA MÍSTICA E PODER DA CASA DE ROVERES NO ALvorecer do Quinhentos
O Decachordum Christianum de Marco Vigerio impõe-se como uma das sínteses mais fascinantes e complexas entre teologia, imagem e propaganda eclesiástica no primeiro Renascimento. Publicada em 1507 pela oficina de Girolamo Soncino, esta suntuosa editio princeps une uma construída doutrinária refinada a um aparato iconográfico de extraordinário poder visivo, no qual a vida e os mistérios de Cristo são transfigurados em sequências simbólicas e narrativas. A obra, dedicada a Júlio II, reflete o entrelaçamento entre devoção, política e representação do sagrado, configurando-se como um verdadeiro objeto de prestígio cultural e espiritual. A riqueza das xilogravuras e a qualidade tipográfica fazem dela um livro total, em que palavra e imagem concorrem para a construção de uma linguagem teológica altamente sugestiva, destinada a influenciar também as artes figurativas coevas.
VALOR DE MERCADO
As cópias da princeps de 1507, sobretudo se completas e com o aparato ilustrativo íntegro, são extremamente procuradas. O mercado registra avaliações geralmente entre 12.000 e 30.000 euros, com exemplares excelentes que podem superar tal faixa. Cópias defeituosas ou com adições, como no caso presente, situam-se mais realisticamente entre 7.000 e 15.000 euros, mantendo ainda forte interesse colecionista pela qualidade iconográfica e pela relevância histórica.
DESCRIÇÃO FÍSICA E CONDIÇÃO
Encadernação em pele integral de uma escola oitocentista, lombada em nervuras com ornamentos dourados nas divisões e título em tirante, cortes coloridos, contracapas em papel decorado. Capa de rosto dentro de elegante moldura xilográfica fitomórfica sobre fundo preto com grande brasão cardinalício ao centro. Ilustração de apoio composta por 8 de 10 xilografias em página inteira dentro de molduras ornamentais e numerosas vinhetas no texto representando episódios da vida de Cristo. Presença de manchas marginais, mais evidentes nas últimas folhas; lombada de rosto levemente amarelada; reforços na junção de A1, C8 e fascículo E; algumas flores e manchas; restauração em rasgo em n1 sem perda de texto; algumas páginas amareladas. Em livros antigos, com uma história plurissecular, podem existir imperfeições não sempre detalhadas na descrição. Pp. (2); 14nn; 492; 32; (2).
TÍTULO COMPLETO E AUTOR
Decachordum Christianum Iulio II Pont. Max. dicatum
Fano, Hieronymus Soncinus, 1507.
Marco Vigerio.
CONTEXTO E SIGNIFICADO
O Decachordum está organizado em dez livros, cada um introduzido por uma grande xilogravura, segundo uma estrutura simbólica que remete ao número perfeito e harmônico do “decacordo”, metáfora da ordem divina. A obra aborda temas centrais da teologia cristã — da vida e paixão de Cristo à natureza dos anjos — através de curtos tratados que combinam erudição escolástica e tensão visionária. O aparato iconográfico não é mero complemento, mas parte integrante do discurso teológico: as imagens traduzem em forma visual conceitos complexos, criando um diálogo contínuo entre texto e figura. Nesse sentido, o volume situa-se numa linha de pensamento que antecipa desenvolvimentos importantes na arte renascentista; alguns estudiosos sugeriram uma relação indireta com o programa iconográfico michelangiolo da Capela Sistina, particularmente no que diz respeito à genealogia de Cristo. A obra representa, além disso, uma poderosa ferramenta de autorrepresentação da família Della Rovere, inserindo-se no contexto político e cultural do pontificado de Júlio II.
BIOGRAFIA DO AUTOR
Marco Vigerio della Rovere (1446–1516), cardeal e arcebispo, foi uma figura eminente da cúria romana no pleno Renascimento. Parente de Papa Júlio II, desempenhou papel significativo na vida política e Eclesiástica de seu tempo. Humanista e teólogo, destacou-se pela produção literária que combina doutrina e retórica, inserindo-se no clima cultural de renovação e magnificência promovido pela Roma roveresca.
HISTÓRIA DE IMPRESSÃO E CIRCULAÇÃO
Impressa em Fano pela Girolamo Soncino, membro da célebre dinastia tipográfica judaica convertida, a edição de 1507 representa a primeira e mais importante aparição da obra. A impressão, realizada com grande dispêndio econômico (tradicionalmente indicado em 181 ducados), atesta o elevado nível técnico e artístico alcançado pela oficina Soncino. A tiragem não devia ser ampla, destinada a um público seleto de religiosos e humanistas, fator que contribui hoje para a raridade da obra no mercado.
BIBLIOGRAFIA E REFERÊNCIAS
EDIT16 (ICCU): CNCE 63347 (exemplares catalogados em bibliotecas italianas)
Essling, Les livres à figures vénitiens, I, p. 145
Mortimer, Harvard Italian 16th Century Books, n. 537
Sander, Le livre à figures italien, n. 7589
WorldCat: registro da edição de Fano 1507 com localizações institucionais
Treccani, entrada “Marco Vigerio della Rovere” (para contexto histórico e interpretativo)
ISTC (para comparação com produção coeva Soncino, dados por verificar para edição específica)
